
Todos são Eduardo. Eles vêm na minha direção, cruzam comigo pelas calçadas. Crescemos juntos. Nunca beijei Eduardo. Lembro das noites em que ele vinha dormir em minha casa, virávamos noites jogando vídeo game. Ele estava sempre por perto, em dia de páscoa, dia das crianças, natal, ano novo, copa do mundo. Qualquer data, ele estava sempre lá. Até que um dia... Sumiu. Se mudou. Acho que fiquei uns dois anos sem conversar com Eduardo. Mas Eduardo está em todos os rostos na rua.
Não sei dizer se foi por azar ou sorte. Mas meu irmão nasceu no dia de um tal 'Santo Eduardo'. E adivinha só? Meus pais resolveram colocar o nome do meu irmão de Eduardo. Hahaha.
Em uma tarde normal de dois mil e nove, andando na rua como quem não quer nada, lá estava ele. Quase tive um troço.
- É você, mesmo? Quanto tempo, Eduardo. Achei que nunca mais voltaria.
- Pois é, quem é vivo sempre aparece. Voltei, sim. E pra ficar. Vou morar bem aqui, na sua rua.
- Ah, o bom é que você já conhece tudo aqui muito bem, já está acostumado, com tudo...
- É, acho que sim, mesmo ficando um tempo fora, me lembro bem de tudo aqui.
- Bom, vai lá em casa qualquer dia. Manda um beijo para os seus pais. Tchau.
- Até...
Eduardo é nome bom pra ficção. Tem sempre um Eduardo nas novelas. Eduardo é lembrança que reaparece no tempo real da trama. E a mocinha enche a boca pra dizer: Eduardo, é nome bom, nome bom pra memória antiga. Eu sempre fui apaixonada pelo Eduardo. Nos aproximamos nesse meio tempo que ele morou em minha rua. Lembro que ficávamos sentados na esquina conversando de tardinha. Não esqueço de uma vez que cantamos aquela música do Darvin, 'pense em mim'. Acho que foi a melhor tarde da minha vida, até hoje.
Se minha vida fosse um filme, seria assim: 'Eduardo casou com uma amiga de infância. Teve três filhos. Eduardo virou piloto de helicóptero. Com aqueles óculos escuros grandes, refletindo o sol, escondendo a vontade que Eduardo tem de ser menos quieto, ser bonito'. No caso, a tal amiga de infância seria eu.
Enquanto escrevia este texto fiz uma pausa para pensar, 'Por que eu nunca escrevi sobre Eduardo, antes?' Sério. Eu não entendo, ele foi o meu primeiro amor, o garoto que eu mais amei e por mais tempo. E quando eu falo de tempo, é tempo mesmo, de anos. Quase uma década. Sabe o que é uma-década-gostando-de-um-mesmo-garoto? Eu conheci outros garotos, Mas o Eduardo era diferente, ele é diferente. Na verdade ninguém é igual a ninguém, eu sei. Mas Eduardo era um diferente... Melhor, exclusivo, único, predileto. Não sei descreve-lo de uma forma que traga muitas emoções para quem não o conhece, só quem o conhece sabe do que estou dizendo.
Hoje em dia não tenho mais nenhum contato com ele. Eduardo se afastou outra vez, na verdade eu que me afastei. Me afastei e nunca mais o vi...
F
(texto modificado de: Juliana Gola)


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